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Surto da doença de Crohn: sintomas, causas e quando consultar

21 de agosto, 20268 minutos de leitura
Surto da doença de Crohn: sintomas, causas e quando consultar

Entenda como os surtos da doença de Crohn podem acontecer, como são avaliados e quando é necessário procurar um médico.

Um surto da doença de Crohn é um período em que os sintomas dessa doença inflamatória intestinal aparecem ou se intensificam após uma fase de remissão ou de menor atividade da doença. Dor abdominal, diarreia, cansaço, perda de peso e sangue nas fezes são algumas das manifestações que podem ocorrer durante esses períodos, embora nem todas as pessoas apresentem os mesmos sintomas.

A doença de Crohn é uma condição crônica que pode afetar diferentes partes do sistema digestivo e alternar períodos de atividade com outros em que os sintomas diminuem. Identificar um possível surto é importante, mas também é necessário determinar se realmente existe inflamação intestinal ativa, já que alguns sintomas podem ter outras causas. Para isso, os especialistas combinam a avaliação clínica com exames de sangue, exames de fezes e, quando necessário, endoscopias ou exames de imagem.

O que é um surto da doença de Crohn?

Um surto ocorre quando a doença de Crohn volta a apresentar atividade após um período de remissão ou quando os sintomas habituais aumentam de forma significativa. A duração e a intensidade desses episódios podem variar bastante entre as pessoas e também em diferentes momentos da evolução da doença.

Durante um surto de Crohn, pode ocorrer um aumento da inflamação na parede intestinal. Dependendo da região afetada, podem surgir sintomas digestivos, como diarreia e dor abdominal, mas também manifestações gerais, como cansaço, febre ou perda de peso. A atividade inflamatória persistente também pode favorecer o aparecimento de complicações, por isso o acompanhamento médico é uma parte fundamental do tratamento da doença.

O aumento dos sintomas sempre significa que existe inflamação?

Não necessariamente. Uma pessoa com doença de Crohn pode apresentar dor abdominal, diarreia ou outros sintomas sem que exista um aumento significativo da inflamação intestinal. Por exemplo, uma infecção gastrointestinal pode provocar manifestações semelhantes às de uma exacerbação da doença de Crohn.

Também pode ocorrer o contrário: pode existir inflamação intestinal ativa com poucos sintomas. Por esse motivo, atualmente busca-se avaliar a doença não apenas a partir de como o paciente se sente, mas também por meio de indicadores objetivos de inflamação. Essa distinção ajuda a evitar tanto a subestimação quanto a superestimação da atividade da doença.

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Quais são os sintomas de um surto de Crohn?

Os sintomas de um surto de Crohn podem variar de acordo com a localização da doença, sua extensão e o grau de inflamação. Entre os mais frequentes estão:

  • diarreia persistente;
  • dor ou cólicas abdominais;
  • necessidade urgente de evacuar;
  • perda de apetite;
  • cansaço.

Em alguns casos, também pode ocorrer sangue nas fezes, febre e perda de peso involuntária. Pessoas com comprometimento do intestino delgado podem apresentar dificuldades para absorver determinados nutrientes, enquanto aquelas com comprometimento do cólon podem apresentar alterações mais marcantes no funcionamento intestinal.

No entanto, a doença de Crohn nem sempre se limita ao intestino. Algumas pessoas podem apresentar manifestações extraintestinais, como dor ou inflamação nas articulações, alterações na pele ou inflamação ocular.

Essas manifestações podem aparecer durante períodos de atividade intestinal, embora necessariamente não sigam o mesmo padrão dos sintomas digestivos. Por isso, qualquer sintoma novo deve ser informado à equipe médica, especialmente quando aparece junto a outros sinais de atividade da doença.

O que pode desencadear um surto da doença de Crohn?

Não existe um único fator responsável pelos surtos. A doença de Crohn se desenvolve a partir de uma interação complexa entre fatores genéticos, imunológicos e ambientais e, em muitos casos, não é possível identificar com precisão o que provocou uma determinada exacerbação.

Entre os fatores que podem influenciar está o tabagismo, que tem sido associado a uma evolução menos favorável da doença. Alguns medicamentos, especialmente os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), também podem piorar os sintomas ou favorecer problemas gastrointestinais em determinadas pessoas. Isso não significa que todas as pessoas que utilizam esses medicamentos terão um surto, mas é importante conversar com um médico antes de usá-los regularmente.

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O estresse não causa a doença de Crohn, mas pode influenciar a percepção e a intensidade de determinados sintomas. Da mesma forma, não existe uma dieta universal capaz de prevenir todos os surtos. Alguns alimentos podem piorar sintomas como diarreia, distensão abdominal ou dor em determinadas pessoas, especialmente durante períodos de atividade da doença.

Por isso, eliminar grupos inteiros de alimentos sem orientação profissional geralmente não é recomendado. As necessidades nutricionais podem mudar durante um surto e, em alguns casos, pode ser necessário adaptar a alimentação para evitar deficiências nutricionais ou perda de peso.

Como é feita a avaliação de um surto de Crohn?

A avaliação começa com uma consulta médica na qual é analisada a evolução dos sintomas. O especialista pode perguntar quantas evacuações a pessoa apresenta, se existe sangue nas fezes, como é a dor abdominal e se houve febre, perda de peso, cansaço ou outras mudanças recentes.

Também é importante avaliar os tratamentos utilizados pelo paciente, a adesão à medicação e possíveis fatores associados à piora dos sintomas. A partir dessas informações, o profissional pode determinar quais exames são necessários para identificar se existe atividade inflamatória e descartar outras causas dos sintomas.

Exames de sangue e de fezes

Os exames de sangue podem incluir marcadores de inflamação, como a proteína C-reativa, além de exames destinados a identificar anemia e outras alterações que podem ocorrer durante a doença inflamatória intestinal.

Entre os exames de fezes está a calprotectina fecal, um biomarcador que pode ajudar a detectar inflamação intestinal. Sua utilidade está, entre outros aspectos, em complementar a avaliação dos sintomas e, em determinados contextos, ajudar a diferenciar uma possível atividade inflamatória de outras causas de sintomas digestivos.

Endoscopia e exames de imagem

Quando é necessário observar diretamente o intestino, o especialista pode solicitar uma colonoscopia. Esse procedimento permite avaliar o estado da mucosa intestinal e obter biópsias para análise.

Os exames de imagem, como a ressonância magnética ou a tomografia com protocolos específicos para avaliar o intestino, também podem ser úteis, especialmente quando é necessário estudar o intestino delgado ou investigar determinadas complicações. A escolha do exame depende das características de cada paciente e do objetivo da avaliação.

Quando consultar um médico por causa de um surto de Crohn?

Pessoas com doença de Crohn devem entrar em contato com sua equipe de saúde quando apresentam uma mudança persistente ou significativa em relação aos seus sintomas habituais. Diarreia que não melhora, aumento da dor abdominal, sangue nas fezes, febre, perda de peso involuntária ou cansaço intenso são motivos para solicitar uma avaliação médica.

Também é importante procurar atendimento quando os sintomas interferem nas atividades cotidianas, dificultam a alimentação ou provocam sinais de desidratação. Não é recomendado modificar, interromper ou reiniciar um tratamento por conta própria diante da suspeita de um surto.

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Quando um surto de Crohn pode ser uma emergência?

Alguns sintomas exigem avaliação médica imediata. Entre eles estão dor abdominal intensa ou progressiva, vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal importante, febre alta, distensão abdominal acentuada ou sinais de desidratação.

Em alguns pacientes, a doença de Crohn pode provocar complicações como estreitamentos do intestino, obstruções, abscessos ou fístulas. Por isso, um quadro de dor intensa acompanhado de vômitos, incapacidade de evacuar ou eliminar gases, ou uma piora importante do estado geral deve ser avaliado rapidamente.

O que fazer diante de um possível surto de Crohn?

Diante do aparecimento de sintomas compatíveis com um surto, o mais importante é entrar em contato com a equipe médica e evitar presumir que necessariamente se trata de uma reativação da doença. Uma infecção intestinal ou outra condição pode provocar sintomas semelhantes e exigir uma abordagem diferente.

Enquanto a avaliação é realizada, é importante manter uma hidratação adequada e seguir as orientações previamente estabelecidas pela equipe de saúde. Se existir um plano de ação para os surtos, ele deve ser seguido de acordo com as instruções recebidas. Alterações na medicação devem ser realizadas somente com orientação médica.

Conclusão

Um surto da doença de Crohn é um período de maior atividade da doença ou de reaparecimento e intensificação dos sintomas. Diarreia, dor abdominal, cansaço, febre, perda de peso e sangue nas fezes podem fazer parte do quadro, mas a presença desses sintomas, por si só, não confirma a existência de inflamação intestinal ativa.

A avaliação médica permite determinar o que está causando os sintomas e qual é o grau de atividade da doença. Para isso, podem ser utilizados avaliação clínica, exames de sangue, calprotectina fecal, endoscopias e exames de imagem. Reconhecer mudanças em relação ao estado habitual e procurar atendimento médico no momento adequado pode ajudar a identificar a atividade da doença de Crohn e prevenir complicações.

Referências bibliográficas

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