Compreender os sintomas da colite ulcerativa e seu impacto na rotina é essencial para aumentar a conscientização sobre a doença. Descubra os desafios que milhares de pacientes enfrentam diariamente.
Pessoas que convivem com a colite ulcerativa enfrentam dificuldades cotidianas que muitas vezes passam despercebidas pela sociedade.
Em diversas situações, atividades aparentemente simples, como um trajeto curto de metrô ou ônibus, podem se transformar em um grande desafio devido a sintomas como urgência para evacuar, diarreia, fadiga e dor abdominal — manifestações que nem sempre são visíveis para quem está ao redor.
BRASIL: Saiba mais sobre o tratamento em investigação aqui“Essa doença tem um grande impacto na qualidade de vida dos pacientes, que geralmente são jovens e levam uma vida bastante ativa. Nesse contexto, é fácil entender como a urgência para evacuar limita suas atividades e obriga essas pessoas a planejarem cada saída, já que precisam saber onde há um banheiro disponível”, explicou a Dra. Ana Gutiérrez, responsável pela Unidade de Doença Inflamatória Intestinal do Hospital General Universitario de Alicante.
O desafio diário da colite ulcerativa
Embora a colite ulcerativa possa surgir em qualquer idade, ela é mais frequente entre pessoas de 15 a 30 anos, afetando diretamente indivíduos em plena fase de desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional.
Por isso, a mobilidade se torna um dos principais desafios para quem deseja manter uma rotina ativa.
Como destacado durante a campanha, o que para muitas pessoas representa apenas o tempo entre uma estação e outra do metrô, para alguém com colite ulcerativa pode parecer uma eternidade.
A urgência para evacuar é um dos sintomas mais característicos da doença e, muitas vezes, há poucos minutos para encontrar um banheiro. Isso faz com que situações simples do dia a dia se tornem fontes constantes de preocupação.
“Precisamos planejar tudo ao nosso redor, inclusive situações simples do cotidiano, como fazer uma mala ou viajar. Muitas vezes somos obrigados a mudar completamente nossos planos devido aos imprevistos causados pela doença”, comentou Ruth Serrano, diretora-geral da ACCU. Ela acrescentou:
“Sintomas como urgência para evacuar, mal-estar, fadiga e dor podem afetar nossa vida pessoal, social, profissional, educacional e momentos de lazer. Queremos que as pessoas compreendam essa realidade, promovam a inclusão e entendam toda a adaptação e flexibilidade necessárias para conviver com essa doença.”
A importância da conscientização sobre a colite ulcerativa
A campanha “EsCÚchame” busca reduzir o estigma em torno da colite ulcerativa, promovendo empatia e conscientização para que pessoas com doenças crônicas possam viver com mais qualidade de vida e menos preconceito.
Além dos sintomas físicos, a doença também pode causar importante impacto emocional. A imprevisibilidade dos surtos, a necessidade de adaptar constantemente a rotina e a preocupação com os sintomas contribuem para níveis elevados de ansiedade e estresse.
O que está sendo pesquisado atualmente para a colite ulcerativa?
Embora novos medicamentos tenham ampliado as opções de tratamento nos últimos anos, muitas pessoas com colite ulcerativa ativa moderada a grave continuam apresentando sintomas, deixam de responder aos tratamentos disponíveis ou não conseguem manter a remissão da doença.
Por esse motivo, a pesquisa clínica continua sendo essencial para o desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas.
Atualmente está em andamento o estudo internacional de fase 3 SUNSCAPE-1, que avalia a segurança e a eficácia de um tratamento experimental administrado por via subcutânea em pessoas com colite ulcerativa ativa moderada a grave.
A pesquisa reúne aproximadamente 980 participantes em diversos países, incluindo Brasil, Argentina, Chile, México, Porto Rico e Estados Unidos.
Os pesquisadores irão avaliar se o tratamento é capaz de:
- promover a remissão clínica;
- reduzir sintomas como diarreia, sangramento retal e urgência para evacuar;
- favorecer a cicatrização da mucosa intestinal;
- manter o controle da doença em longo prazo.
Poderão participar adultos entre 18 e 80 anos com diagnóstico confirmado de colite ulcerativa ativa moderada a grave que tenham apresentado resposta insuficiente, perda de resposta ou intolerância aos tratamentos anteriores.
A participação é voluntária e, caso os critérios médicos do protocolo sejam atendidos, os participantes recebem acompanhamento especializado durante todo o estudo.
BRASIL: Saiba mais sobre o tratamento em investigação aquiBibliografia
- ClinicalTrials.gov. A Study to Evaluate Duvakitug in Participants With Moderately to Severely Active Ulcerative Colitis (SUNSCAPE-1).
- Mayo Clinic. Ulcerative Colitis: Symptoms and Causes.
- Crohn’s & Colitis Foundation. Ulcerative Colitis.
- ECCO (European Crohn’s and Colitis Organisation). ECCO Guidelines on Ulcerative Colitis.
- American Gastroenterological Association (AGA). Clinical Practice Guidelines for Ulcerative Colitis.
- Sanofi. Informações sobre o estudo clínico SUNSCAPE-1.



