A cistectomia radical (CR) continua sendo o padrão-ouro para o câncer de bexiga músculo-invasivo localizado (MIBC); no entanto, o uso de stents ureterais no momento da cirurgia permanece controverso, sem evidência de nível 1 para comentar sobre os riscos ou benefícios de seu uso. As complicações da CR comumente incluem infecções do trato urinário (ITUs), pielonefrite, vazamento ureteroileal e estenose, e podem ocorrer tanto com desvio urinário em conduto ileal quanto com neobexiga ortotópica. Tradicionalmente, acredita-se que os stents ureterais apoiem a cicatrização da anastomose e reduzam o risco de vazamento e estenoses anastomóticas; no entanto, evidências emergentes de estudos retrospectivos sugerem que o uso de stents pode, paradoxalmente, aumentar as taxas de morbidade pós-operatória.
Este estudo randomizado, multicêntrico e prospectivo tem como objetivo comparar as taxas de complicações pós-operatórias em 30 dias entre desvios urinários com e sem stent em pacientes submetidos à CR por MIBC, tanto em conduto ileal quanto em neobexiga, com abordagens robótica ou aberta. A randomização entre anastomose ureteroentérica com ou sem colocação de stent ureteral ocorrerá no momento da cirurgia; o cirurgião saberá dessa informação no momento da cirurgia e o paciente estará ciente da colocação dos stents após a cirurgia, pois estes são externalizados e visíveis.