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Câncer de mama: SUS vai oferecer teste genético para identificar mutações hereditárias

20 de maio, 20265 minutos de leitura
Câncer de mama: SUS vai oferecer teste genético para identificar mutações hereditárias

SUS vai oferecer teste genético para detectar mutações BRCA1 e BRCA2 no câncer de mama e ampliar o acesso à medicina de precisão.

O câncer de mama terá um novo aliado no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde anunciou a incorporação de um teste genético de alta precisão capaz de identificar mutações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2, alterações associadas a um maior risco de desenvolvimento da doença e também do câncer de ovário.

A medida representa um avanço importante na chamada medicina de precisão e pode transformar tanto o tratamento das pacientes já diagnosticadas quanto a prevenção em familiares que ainda não apresentaram sinais da doença. O exame será realizado por meio da tecnologia de sequenciamento de nova geração (NGS), considerada uma das ferramentas mais modernas da oncologia molecular.

O que é o teste genético incorporado pelo SUS

A nova tecnologia aprovada pelo Ministério da Saúde utiliza o sequenciamento de nova geração, conhecido pela sigla NGS (Next Generation Sequencing). O método permite analisar o DNA da paciente em busca de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, duas das alterações genéticas hereditárias mais relacionadas ao câncer de mama hereditário.

Essas mutações aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de tumores ao longo da vida. Em alguns casos, mulheres portadoras dessas variantes podem apresentar maior probabilidade de desenvolver câncer antes dos 50 anos ou até tumores bilaterais. A identificação precoce dessas alterações ajuda médicos a definirem estratégias mais personalizadas de acompanhamento e tratamento.

Até então, esse tipo de exame estava concentrado principalmente na rede privada, com custos que podiam chegar a milhares de reais. Com a incorporação ao SUS, pacientes da rede pública poderão ter acesso a uma ferramenta fundamental para o diagnóstico molecular e o planejamento terapêutico.

Como o exame pode mudar o tratamento do câncer de mama

A descoberta de mutações genéticas associadas ao câncer de mama pode impactar diretamente as decisões clínicas. Pacientes com alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem se tornar elegíveis para terapias-alvo específicas, como os chamados inibidores de PARP, medicamentos desenvolvidos para tumores com esse perfil genético.

Essas terapias atuam explorando fragilidades das células tumorais e podem aumentar as chances de controle da doença em determinados casos. Sem o teste genético, muitas pacientes poderiam não ter acesso a tratamentos potencialmente mais eficazes e personalizados.

Além disso, o resultado do exame pode auxiliar na definição de estratégias preventivas. Dependendo da avaliação médica, algumas pacientes podem optar por protocolos de rastreamento mais intensivos, ressonâncias magnéticas frequentes ou até cirurgias preventivas para reduzir o risco de novos tumores.

Impacto do diagnóstico genético para familiares

O benefício do teste não se limita apenas à paciente diagnosticada. Como as mutações nos genes BRCA podem ser hereditárias, a identificação de uma alteração genética pode alertar familiares que também carregam o risco aumentado de desenvolver câncer.

Segundo dados do estudo Mapa Genoma Brasil, considerado o maior estudo genômico sobre câncer realizado no país, cerca de 1 em cada 10 pacientes analisados apresentava mutações hereditárias relacionadas à doença. Entre os familiares que realizaram o teste, aproximadamente 40% também possuíam a mesma alteração genética, mesmo sem apresentar sintomas.

Esse tipo de identificação precoce permite que familiares adotem medidas preventivas antes do surgimento do tumor. Entre as estratégias estão exames de rastreamento antecipados, monitoramento mais frequente e acompanhamento especializado em oncogenética.

Medicina de precisão ainda enfrenta desafios no SUS

Apesar do avanço, especialistas alertam que a estrutura de oncogenética no SUS ainda é limitada. Atualmente, o Brasil possui menos de 500 geneticistas clínicos para atender uma população superior a 200 milhões de habitantes, segundo dados do estudo coordenado pelo Hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Outro desafio envolve a distribuição desigual dos centros especializados no país. Muitos hospitais públicos ainda não possuem equipes treinadas para realizar aconselhamento genético, interpretar exames moleculares e acompanhar familiares com risco hereditário de câncer.

Além da infraestrutura, especialistas destacam a necessidade de ampliar campanhas de conscientização sobre câncer hereditário. Muitas pessoas desconhecem o histórico familiar da doença ou não sabem que determinados casos podem estar ligados a alterações genéticas transmissíveis entre gerações.

Quando o teste começará a ser oferecido

De acordo com a portaria publicada no Diário Oficial da União, o SUS terá prazo de até 180 dias para iniciar a oferta do teste genético na rede pública de saúde. O exame será destinado especificamente a mulheres diagnosticadas com câncer de mama, conforme critérios clínicos definidos pelo Ministério da Saúde.

A expectativa é que a medida amplie o acesso à medicina personalizada e reduza desigualdades no tratamento oncológico no Brasil. Especialistas também avaliam que a incorporação do exame pode abrir caminho para futuras expansões da oncogenética no sistema público.

Conclusão

A incorporação do teste genético para câncer de mama no SUS representa um marco importante para a oncologia brasileira. A possibilidade de identificar mutações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2 pode melhorar o acesso a tratamentos personalizados, ampliar estratégias de prevenção e permitir diagnósticos mais precisos para milhares de mulheres.

Embora ainda existam desafios estruturais relacionados à oncogenética no Brasil, a decisão sinaliza um avanço significativo da medicina de precisão no sistema público de saúde. Além de beneficiar pacientes já diagnosticadas, o teste também pode ajudar familiares a identificarem riscos precocemente e adotarem medidas preventivas capazes de salvar vidas.

Bibliografia

  • Ministério da Saúde
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA)
  • Hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo
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