O AVC é uma condição neurológica causada por problemas vasculares, como infarto cerebral e/ou hemorragia intracerebral ou subaracnóidea(1). Em 2019, mais de 12 milhões de AVCs ocorreram em todo o mundo, tornando-se uma das principais causas de morbidade.
A deficiência motora é considerada um dos principais problemas resultantes dessa condição(2). A recuperação da função motora ocorre espontaneamente durante os primeiros meses após o AVC(3) como resultado dos processos de plasticidade cerebral nos sistemas sensorial e motor(4). Estima-se que 50 a 75% dos pacientes com AVC persistem com sequelas motoras significativas que limitam as atividades diárias(5).
Recentemente, a Estimulação do Nervo Vago (ENV) foi proposta como uma intervenção que poderia ter efeitos benéficos na recuperação da função motora desses pacientes, uma vez que contribui para a geração de neuroplasticidade adaptativa e a ativação de neuromoduladores que reduzem a inflamação cerebral(6).
A ENV tem sido administrada principalmente por meio de eletrodos implantados, mas mais recentemente, uma técnica não invasiva, conhecida como ENV transcutânea (cervical ou auricular), foi proposta. A ENV tradicionalmente requer a implantação de um gerador de pulso elétrico no nível subclavicular esquerdo, que está conectado a eletrodos na ramificação cervical esquerda do nervo vago(7). Sua inserção é realizada por um procedimento cirúrgico, que apresenta um risco maior de eventos adversos(8), sendo o mais frequente a disfonia durante a estimulação, devido à sua proximidade com o nervo laríngeo(9). Por outro lado, a ENV transcutânea funciona por meio da colocação de eletrodos não invasivos no pescoço ou aurícula para estimulação da ramificação cervical ou auricular do nervo vago, respectivamente(7). A ENV transcutânea tem um risco menor de eventos adversos, é reversível e fácil de implementar(7). Além disso, evidências experimentais sugerem que os efeitos da ENV transcutânea na função cerebral são comparáveis àqueles obtidos com a ENV(8).
Este estudo avaliará os efeitos da estimulação transcutânea do nervo vago (tENV) em combinação com reabilitação física na função motora do membro superior de pacientes com AVC. Trinta pacientes com AVC isquêmico serão incluídos no estudo. Os sujeitos serão randomizados para tENV + reabilitação física ou estimulação simulada + reabilitação física. As sessões de terapia serão realizadas 3 vezes por semana durante seis semanas consecutivas. A eficácia será avaliada através da avaliação da mudança na função motora do membro superior, no dia seguinte e 30 dias após o término da intervenção. A função motora do membro superior será avaliada por meio da pontuação da escala de Fugl-Meyer.