Uma pesquisa clínica avalia um medicamento inovador para doença de Crohn ativa de moderada a severa.
A busca por novas alternativas de tratamento para Crohn continua avançando em diferentes partes do mundo. Um novo estudo clínico internacional de fase 3, chamado STARSCAPE-1, está recrutando pessoas com Doença de Crohn ativa de moderada a severa para avaliar a eficácia e a segurança de um medicamento em estudo.
A pesquisa envolve aproximadamente 980 pacientes em diversos países, incluindo Brasil, Argentina, Colombia, Mexico, Chile, Puerto Rico e Estados Unidos. O estudo pretende analisar se a nova terapia pode ajudar pacientes que não responderam adequadamente aos tratamentos já disponíveis.
O que é a Doença de Crohn e por que novas pesquisas são necessárias?
A Doença de Crohn é uma enfermidade inflamatória intestinal crônica que pode afetar diferentes partes do trato gastrointestinal. Os sintomas variam de intensidade e incluem dor abdominal, diarreia persistente, fadiga, perda de peso e inflamação intestinal recorrente.
Embora existam avanços importantes nos tratamentos para doenças inflamatórias intestinais, muitos pacientes ainda apresentam resposta insuficiente, perda de eficácia ao longo do tempo ou intolerância às terapias disponíveis. Esse cenário reforça a importância de iniciativas de novas investigações, especialmente estudos clínicos que avaliam medicamentos inovadores com potencial de melhorar a remissão clínica e a qualidade de vida dos pacientes.
Segundo informações do protocolo resumido do estudo, o tratamento já teve sua eficácia e segurança avaliadas anteriormente em um estudo de fase 2b chamado RELIEVE UCCD, envolvendo pacientes com doença de Crohn e retocolite ulcerativa moderada a grave.
Saiba mais sobre o tratamento em estudo aquiComo funciona o estudo clínico STARSCAPE-1?
O STARSCAPE-1 é um estudo clínico randomizado, duplo-cego e multicêntrico que investiga o medicamento em estudo, um anticorpo monoclonal administrado por injeção subcutânea.
O estudo possui duas etapas principais:
- Fase de indução
A primeira fase ocorre entre a semana 0 e a semana 12. Nessa etapa, os pesquisadores avaliam se o medicamento consegue reduzir a atividade inflamatória da doença e melhorar os sintomas clínicos dos participantes.
Os pacientes incluídos nessa fase devem apresentar índice CDAI entre 220 e 450, além de marcadores inflamatórios elevados, como PCR acima de 5 mg/L ou calprotectina fecal elevada.
- Fase de manutenção
Os participantes que responderem ao tratamento seguem para a fase de manutenção, que acompanha a evolução clínica e a segurança do medicamento ao longo do tempo.
A duração total estimada para cada participante é de aproximadamente 52 semanas. Durante o estudo, os pacientes podem receber o tratamento em estudo, um medicamento já aprovado para a doença como comparador ativo ou placebo em parte do protocolo.
Quem pode participar da pesquisa?
Os critérios de inclusão do estudo foram definidos para selecionar pacientes com diagnóstico confirmado de doença de Crohn moderadamente a severamente ativa há pelo menos três meses.
Entre os principais requisitos estão:
- Ter entre 18 e 80 anos;
- Apresentar atividade moderada a severa da doença;
- Ter tido resposta insuficiente, perda de resposta ou intolerância a tratamentos prévios;
- Já ter utilizado corticosteroides, imunomoduladores, terapias biológicas ou inibidores de JAK.
Além disso, o protocolo permite o uso de determinadas medicações concomitantes em doses estáveis durante o acompanhamento clínico. A participação é voluntária, e os candidatos podem desistir a qualquer momento sem qualquer obrigação futura.
Saiba mais sobre o tratamento em estudo aquiQuem não pode participar do estudo?
O protocolo também estabelece critérios de exclusão para garantir maior segurança aos participantes e confiabilidade científica aos resultados.
Não podem participar pessoas com:
- Retocolite ulcerativa ou colite indeterminada;
- Estenose fixa ou sintomática;
- Megacólon tóxico;
- Perfuração intestinal ou abscessos;
- Infecções ativas graves, incluindo tuberculose;
- Histórico recente de câncer;
- Gravidez ou lactação.
Pacientes que já receberam terapias investigacionais anti-TL1A também podem ser excluídos do protocolo.
O que os pesquisadores pretendem avaliar?
O estudo clínico pretende analisar diferentes indicadores relacionados à atividade da doença e à resposta terapêutica. Entre os principais objetivos estão:
- Remissão clínica;
- Resposta clínica sustentada;
- Cicatrização mucosa e endoscópica;
- Redução dos marcadores inflamatórios;
- Melhora da qualidade de vida;
- Segurança do tratamento e ocorrência de eventos adversos.
Esse tipo de avaliação é considerado essencial em pesquisas sobre doenças inflamatórias intestinais, já que a doença de Crohn pode impactar significativamente a rotina, o estado nutricional e a saúde emocional dos pacientes.
Participação em estudos clínicos: o que os pacientes precisam saber?
A participação em pesquisas clínicas é voluntária e regulamentada por autoridades sanitárias e Comitês de Ética em Pesquisa de cada país. O estudo STARSCAPE-1 oferece acompanhamento médico especializado e procedimentos relacionados à pesquisa sem custo aos participantes.
Além disso, os voluntários podem contar com:
- Monitoramento periódico realizado por especialistas;
- Transporte até o centro de pesquisa mais próximo;
- Avaliações clínicas contínuas durante o estudo.
Pesquisas de Crohn investigação como essa são consideradas fundamentais para o desenvolvimento de novas terapias e para ampliar as opções de tratamento disponíveis no futuro.
Saiba mais sobre o tratamento em estudo aquiConclusão
O estudo clínico STARSCAPE-1 representa mais um avanço importante na área de investigação, especialmente para pacientes que convivem com formas moderadas a graves da doença de Crohn e não obtiveram resposta adequada às terapias atuais.
Com recrutamento internacional e foco em segurança, remissão clínica e qualidade de vida, a pesquisa busca entender se o duvakitug pode se tornar uma nova alternativa terapêutica para pessoas com doença de Crohn. Embora os resultados ainda estejam em avaliação, estudos clínicos como esse desempenham papel essencial na evolução da medicina e no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para doenças inflamatórias intestinais.







