Saiba como se preparar para uma consulta com o oncologista, o que levar e 10 perguntas que podem ajudar a entender o diagnóstico e o tratamento.
Como se preparar para uma consulta com o oncologista é uma das primeiras dúvidas que podem surgir após um diagnóstico de câncer ou no início de uma nova etapa do tratamento. A quantidade de informações, a preocupação e o impacto emocional desse momento podem fazer com que algumas perguntas acabem ficando para depois.
Reservar alguns minutos para se organizar antes da consulta pode ajudar a compreender melhor o diagnóstico, conhecer as opções de tratamento e participar das decisões junto à equipe de saúde. Não é necessário entender de medicina: o mais importante é ter as informações e as perguntas que podem ajudar você a aproveitar melhor esse momento.
Por que é importante se preparar antes da consulta com o oncologista?
Receber um diagnóstico de câncer pode trazer muitas dúvidas e incertezas. Durante a consulta, o médico pode explicar novos conceitos, solicitar exames ou apresentar diferentes possibilidades de tratamento, informações que nem sempre são fáceis de lembrar depois.
Levar uma lista de perguntas e os documentos médicos disponíveis pode facilitar a conversa e evitar que algum assunto importante fique sem resposta. Também pode ser útil contar com a companhia de um familiar ou de uma pessoa de confiança, que pode ajudar a fazer anotações ou lembrar das orientações dadas pelo médico.
O que levar para a consulta com o oncologista?
Antes da consulta, organize os documentos e exames médicos que você já possui. Principalmente na primeira consulta com um novo especialista, essas informações podem ajudar o oncologista a compreender melhor o seu histórico e avaliar o caso.
Entre os documentos que podem ser úteis estão:
- Exames de imagem, como tomografias, ressonâncias magnéticas, radiografias e PET-CT.
- Laudos de biópsias e exames anatomopatológicos.
- Resultados de exames laboratoriais.
- Lista dos medicamentos utilizados atualmente, incluindo vitaminas e suplementos.
- Informações sobre antecedentes médicos pessoais e familiares relevantes.
- Resultados de exames genéticos ou de biomarcadores, caso já tenham sido realizados.
Manter esses documentos organizados pode facilitar a avaliação médica e, dependendo do caso, evitar a repetição de exames que já foram realizados.
10 perguntas para fazer ao oncologista
Não existe uma lista única de perguntas que sirva para todas as pessoas. No entanto, estas questões podem ajudar você a organizar a conversa com o oncologista.
1. Qual é o tipo de câncer e em que estágio ele está?
Compreender o diagnóstico é um dos primeiros passos para entender quais opções podem ser consideradas. Se algum termo médico não estiver claro, peça ao profissional para explicá-lo de uma maneira mais simples.
2. Qual é o objetivo do tratamento?
O objetivo pode variar de acordo com o tipo e o estágio do câncer e com as características de cada pessoa. Em determinadas situações, o tratamento pode ter como objetivo eliminar a doença; em outras, controlar sua evolução, reduzir sintomas ou preservar a qualidade de vida.
3. Quais opções de tratamento estão disponíveis?
Pergunte quais alternativas podem ser consideradas para o seu caso. Dependendo do tipo de câncer, elas podem incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, terapias-alvo ou outras estratégias.
Também é importante entender por que determinada opção está sendo recomendada e quais são as alternativas possíveis.
4. Quais são os benefícios e os possíveis efeitos colaterais?
Todo tratamento pode apresentar benefícios e possíveis riscos. Perguntar sobre os efeitos esperados, os efeitos colaterais mais comuns e aqueles que exigem atenção pode ajudar você a se preparar melhor para essa etapa.
5. Preciso fazer outros exames?
Em alguns casos, exames adicionais podem ser necessários antes de definir ou iniciar um tratamento. Podem ser solicitados exames de imagem, análises laboratoriais, testes moleculares ou avaliações de determinados biomarcadores.
Pergunte também para que serve cada exame e como o resultado pode influenciar a escolha do tratamento.
6. Como o tratamento pode afetar minha rotina?
Questões relacionadas ao trabalho, atividade física, alimentação, deslocamentos e rotina diária também podem ser importantes.
Perguntar antecipadamente sobre essas mudanças pode ajudar você a se organizar e entender o que esperar durante o tratamento.
7. Quais sintomas devem fazer com que eu procure atendimento imediatamente?
Nem todos os sintomas exigem atendimento de emergência, mas alguns sinais podem precisar de avaliação rápida.
Pergunte à equipe quais sintomas devem ser observados e qual é a melhor forma de entrar em contato caso eles apareçam.
8. Existem estudos clínicos que podem ser uma opção para o meu caso?
Em determinadas situações, estudos clínicos podem avaliar novas estratégias de tratamento ou outras abordagens para diferentes tipos de câncer.
O oncologista pode ajudar a identificar se existe algum estudo clínico compatível com o diagnóstico, as características da doença e os critérios de participação de cada pesquisa.
É importante lembrar que a participação em um estudo clínico depende de critérios específicos e deve ser discutida com a equipe de saúde.
9. Existe algum suporte emocional ou psicológico disponível?
O cuidado oncológico não envolve apenas o tratamento do câncer. O impacto emocional do diagnóstico e do tratamento também pode fazer parte dessa experiência.
Pergunte se o hospital ou centro de tratamento oferece acompanhamento psicológico, assistência social, nutrição ou outros serviços de apoio para pacientes e familiares.
10. Qual será o próximo passo?
Antes de terminar a consulta, confirme se você entendeu quais são os próximos passos: exames que precisam ser realizados, consultas de acompanhamento, início ou mudança do tratamento e formas de entrar em contato com a equipe médica.
Se necessário, anote as datas e as orientações para consultá-las posteriormente.
Fazer anotações pode ajudar
Durante uma consulta médica, é normal não conseguir lembrar de todas as informações. Por isso, levar um caderno, utilizar o aplicativo de notas do celular ou pedir autorização ao profissional para gravar a conversa pode ser útil para revisar as orientações depois.
Se você estiver acompanhado, essa pessoa também pode ajudar a fazer anotações, lembrar das informações discutidas e até mesmo fazer perguntas que não tenham surgido naquele momento.
O paciente também participa das decisões sobre o tratamento
A comunicação entre paciente e equipe de saúde é uma parte importante do cuidado. Fazer perguntas, expressar dúvidas ou pedir que uma explicação seja repetida não significa questionar o profissional, mas buscar informações para compreender melhor as opções disponíveis.
Quando existe uma comunicação clara, o paciente pode participar de maneira mais ativa das decisões sobre seu tratamento, sempre em conjunto com a equipe médica.
Preparar-se para a consulta pode fazer a diferença
Saber como se preparar para uma consulta com o oncologista pode ajudar a tornar esse momento mais organizado e facilitar a comunicação com a equipe de saúde.
Levar exames e documentos médicos, anotar as principais dúvidas e perguntar sobre as opções disponíveis são medidas simples que podem ajudar você a compreender melhor o diagnóstico e o tratamento.
Se o oncologista considerar que um estudo clínico pode ser adequado para o seu caso, também é válido perguntar sobre essa possibilidade e entender os critérios de participação, os objetivos da pesquisa, seus potenciais benefícios e riscos.
Ter acesso a informações claras sobre todas as alternativas disponíveis faz parte de um cuidado baseado em evidências e centrado no paciente.
Referências
- American Cancer Society. Informações e perguntas sobre câncer. American Cancer Society
- National Cancer Institute. Questions to Ask Your Doctor About Cancer. National Cancer Institute
- American Society of Clinical Oncology (ASCO). Informações e perguntas para a equipe de saúde. Cancer.Net — ASCO


